Mealheiro #33: 家計簿, a arte japonesa de gerir dinheiro

Quem não acaba de pensar, não dá início ao actuar

Já falei antes sobre uma ferramenta bastante simples de utilizar para que possas, de uma forma fácil e prática, tratar do teu orçamento pessoal.

E hoje, trago-te outra. Assim como nos investimentos, diversificação de conhecimento é importante. Por isso, quanto mais formas de gerires as tuas finanças pessoais conheceres, mais preparad@ estarás para atingir a tua independência financeira.

Cada caso é um caso, e cada um é que deve tentar perceber qual a melhor forma de manter as suas despesas e poupanças sob controlo. Contudo, nunca é demais relembrar que, independentemente da forma como o fazes, o mais importante é que o faças!


Kakeibo é uma técnica japonesa e centenária de gestão de orçamentos. Ajuda-te a gastar e a poupar mais conscientemente - sem muitas complicações. É visto mais como uma filosofia financeira, do que propriamente como uma forma de gerir o teu dinheiro. Estranho? Um bocado, mas espero que no fim disto percebas o porquê.

O que é kakeibo?

O nome Kakeibo vem de uma expressão japonesa que significa "livro de contabilidade doméstico". Essencialmente, um kakeibo é um diário, físico, dos teus ganhos e gastos. Ao usares o kakeibo, para além de definires metas financeiras, vais também responder a perguntas sobre como estás a progredir em direção a essas metas. E o objetivo é que uses isso para avaliar como correu o teu mês em termos financeiros.

O mais importante é que este método ajuda-te a pensar a fundo sobre a tua relação com o dinheiro, e a entender melhor porque é que estás a gastar mais (ou menos) dinheiro em determinadas coisas.

Como funciona o kakeibo?

  1. Arranja um diário: caneta e papel? Ainda sabes o que isso é? Um simples diário funciona bastante bem para pôr isto em prática.

  2. Calcula quanto ganhas por mês, e substrai as despesas mensais

  3. Define um objetivo de poupança para o mês: idealmente, deves retirar este valor do que te sobrou após todas as tuas despesas fixas.

  4. Lista as categorias de gastos: necessidades, desejos, cultura, e inesperados.

  5. Categoriza tudo o que compras: regista todos os teus gastos com a categoria apropriada e incluí quanto gastaste.

  6. Responde a 4 perguntas: de vez em quando - mensal ou semanalmente - responde, por escrito, às seguintes perguntas: Quanto dinheiro tens? Quanto dinheiro queres poupar? Quanto dinheiro estás a gastar? Como podes melhorar?

  7. Repete.

O passo #6 é o que diferencia este método de outras formas de gerir orçamentos. Certamente já deves fazer isso, de alguma maneira, mas quando é que foi a última vez que realmente pensaste sobre isso e, mais importante, escreveste o que te ia na cabeça?

A última pergunta “Como podes melhorar?” é bastante aberta, e não há uma resposta certa. O objetivo é que reflitas verdadeiramente sobre este ponto em concreto. E tem em atenção: melhorar não significa única e exclusivamente encontrar maneiras de cortar custos - pode significar decidires gastar mais nalguma coisa que realmente gostes e gastar menos em compras que talvez não te tenham trazido tanto valor como achavas.

Tudo isto para te pôr a pensar como usas o teu dinheiro. Não é para todos, e certamente haverá pessoas que acham que é pouco prático. Mas nem tudo na vida é preto no branco. Each one to their own.

Porque é que este método é interessante?

O kakeibo é excecional porque te ajuda considerar e a perceber as motivações por detrás dos teus gastos.

Por um lado, escreveres tudo à mão melhora a memória, e é um processo meditativo e reflexivo. Apontar os detalhes de uma compra leva mais tempo do que inserir os números numa app. Ficas mais ciente do que estás a escrever e porquê.

Por outro lado, leva-te a considerar cada compra uma segunda vez. Leva-te a pensar sobre todos os teus gastos, e a refletir bastante mais sobre o que te levou a fazer uma determinada compra.

Para terminar: todos podemos ser extremamente racionais com o nosso dinheiro quando estamos a fazer planos para o futuro. Mas a verdade é que é em momentos de irracionalidade, e sob pressão, que percebemos como é que realmente a nossa mente funciona. E quanto melhor te conheceres, melhor conseguirás controlar os teus impulsos.


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